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Non-profit organization committed to improvement and dissemination of knowledge regarding the pathology and pathophysiology of renal disease

RPS Caso dem Foco

Abril 2025

Um homem de 62 anos com FAN positivo e pico monoclonal na urina


Bangchen Wang1

Jagdeep Obhrai 2

Serena M Bagnasco1


1. Johns Hopkins University, Baltimore, MD
2. Washington Nephrology, Baltimore, MD

      

Spanish   English   French   本月案例

Caso Clínico

Homem de 62 anos com hipertensão arterial sistêmica, sem histórico prévio de autoimunidade, apresenta creatinina sérica de 1,1 mg/dL acompanhado de um rash facial, micro-hematúria, proteinúria (relação de 0,9 g/g), consumo de complemento (C3 39 mg/dL, C4 < 2 mg/dL), FAN (título não disponível), anti-RNP e anti-SM positivos, kappa/lambda sérica de 0,13 e pico monoclonal no soro e urina. Pesquisas de ANCA, anti-dsDNA, anti-GBM e anti-PLA2R foram negativas. Sorologias para hepatite B e C e HIV também foram negativas. Uma biópsia renal foi realizada.

Microscopia óptica

A microscopia óptica continha mais de 100 glomérulos. Os glomérulos estavam aumentados e lobulados, com expansão mesangial e hipercelularidade mesangial segmentar e focal, espessamento difuso das alças capilares com duplo contorno (Figura 1). Não havia evidência de hipercelularidade endocapilar, crescentes ou necrose. Não havia achados tubulares significativos, exceto por raras hemácias intratubulares. Havia mínima fibrose/atrofia intersticial tubular (IFTA) e mínima inflamação intersticial.

 

Figura 1. Glomerulomegalia com contornos lobulados na H&E (A) e espessamento difuso das alças capilares (“wire-loop” e duplo contorno) na prata (B).

Imunofluorescência

IF de congelação continha 3 glomérulos com depósitos granulares em mesângio e alça capilar para IgG (3+), IgA (1-2+), IgM (1-2+), C3 (2-3+), C1q (2-3+) e lambda (3+) (Figura 2A). IF para kappa foi negativa (Figura 2B). IF para subclasses de IgG (IgG1, IgG2, IgG3, IgG4) foi restrita a gG1 (Figura 3A-D). IF em parafina confirmou restrição para cadeia leve lambda. Não havia evidência de restrição de cadeia leve nas membranas basais tubulares, epitélio tubular, ou em cilindros.

 

Figura 2. IF de congelação positiva para cadeia leve lambda (A) e negativa para cadeia leve kappa (B) em mesângio e alça capilar glomerular.



Figura 3. IF para subclasses de IgG positiva para IgG1 (A) e negativa para IgG2, IgG3 e IgG4 (B-D).

Microscopia Eletrônica
Na microscopia eletrônica, os capilares glomerulares apresentavam espessamento difuso das membranas basais com inúmeros depósitos eletrodensos, principalmente subendoteliais (Figura 4A). Os depósitos apresentavam arranjos paralelos fibrilo-tubulares, às vezes com uma disposição vaga semelhante a impressões digitais, com uma espessura média de 16 nm (Figura 4B). Depósitos mesangiais abundantes e inclusões túbulo-reticulares em células endoteliais também estavam presentes. Não foram identificados depósitos na membrana basal tubular. Os podócitos apresentavam apagamento difuso dos pedicelos. Para confirmar a clonalidade dos depósitos, foi realizada coloração imunogold para cadeias leves kappa e lambda, mostrando restrição de cadeia lambda (Figura 5A-B).



Figura 4. ME demonstrou inúmeros depósitos eletrodensos, principalmente subendoteliais e mesangiais (A), arranjados paralelamente com morfologia fibrilo-tubular (B).

Figura 5. Immunogold confirmou depósitos lambda (A) e foi negativa para kappa (B).  

Diagnóstico final

Glomerulonefrite por imunocomplexo “full-house” com depósitos monoclonais de IgG1-lambda.

Seguimento clínico

O paciente foi submetido a biópsia de medula óssea, que mostrou medula óssea normocelular com 5-8% de plasmócitos monoclonais IgG lambda, compatível com MGUS. Citogenética revelou hiperdiploidia nos plasmócitos anormais. O paciente foi tratado com MMF mas persiste com proteinúria persistente e hipocomplentenemia.

Discussão

 A gamopatia monoclonal de significado indeterminado (MGUS) afeta 3,2% da população geral acima de 50 anos e 5,3% das pessoas com mais de 70 anos.1 Tais pacientes apresentam risco de progressão para mieloma múltiplo (MM) de 1% ao ano e está associada ao aumento do risco para outros distúrbios linfoproliferativos, amiloidose e doença de depósito de cadeia leve.2,3 Os achados do presente caso são incomuns e difíceis de se encaixar na classificação atual das gamopatias monoclonais ou de relevância renal (MGRS). A ausência de depósitos amorfos prata-negativos, de depósitos lineares na IF e de características ultraestruturas na ME descartam a amiloidose AL e a doença de depósito monoclonal de cadeia leve. Muitos aspectos deste caso se encaixam em glomerulonefrite proliferativa com depósitos monoclonais de IgG (PGNMID), embora a maioria dos casos de PGNMID não reportem positividade para IgA e IgM.4,5 Além disso, a subestrutura microtubular dos depósitos levanta a possibilidade de glomerulopatia imunotactoide monoclonal. Embora alguns casos de glomerulopatia imunotactoide monoclonal também possam apresentar depósitos de IgA, IgM e C1q, o diâmetro dos dos depósitos é significativamente maior (20-37 nm) do que os deste caso (12-23 nm).6 No contexto de erupção cutânea com biópsia de pele sugestiva de doença autoimune, FAN positivo e consumo de complemento, as características da biópsia descritas acima são sugestivas de nefrite lúpica, embora o paciente não preencha critérios para lúpus eritematoso sistêmico (LES). Embora o caso não se encaixe em nenhuma categoria de MGRS, dado os depósitos monomórficos e o acompanhamento clínico do paciente confirmando discrasia plasmocitária, este caso é melhor classificado como MGRS. Alguns estudos retrospectivos sugerem uma associação entre MGUS e doenças autoimunes,7,8 embora não haja unanimidade.9 No entanto, conforme ilustrado nesse caso, pacientes com padrão de IF “full-house” e restrição de cadeia leve requerem avaliação para presença de doença linfoproliferativa. 

Referencias:

  1. Kyle, R.A., et al. Prevalence of monoclonal gammopathy of undetermined significance. N Engl J Med 354, 1362-1369 (2006).
  2. Landgren, O., et al. Monoclonal gammopathy of undetermined significance (MGUS) consistently precedes multiple myeloma: a prospective study. Blood 113, 5412-5417 (2009).
  3. Kyle, R.A., et al. A long-term study of prognosis in monoclonal gammopathy of undetermined significance. N Engl J Med 346, 564-569 (2002).
  4. Nasr, S.H., et al. Light chain only variant of proliferative glomerulonephritis with monoclonal immunoglobulin deposits is associated with a high detection rate of the pathogenic plasma cell clone. Kidney Int 97, 589-601 (2020).
  5. Nasr, S.H., et al. Proliferative glomerulonephritis with monoclonal IgG deposits: A distinct entity mimicking immune-complex glomerulonephritis. Kidney International 65, 85-96 (2004).
  6. Nasr, S.H., et al. Immunotactoid glomerulopathy is a rare entity with monoclonal and polyclonal variants. Kidney Int 99, 410-420 (2021).
  7. Garton, M.J., Keir, G., Dickie, A., Steven, M. & Rennie, J.A. Prevalence and long-term significance of paraproteinaemia in rheumatoid arthritis. Rheumatology (Oxford) 45, 355-356 (2006).
  8. Tomi, A.L., et al. Brief Report: Monoclonal Gammopathy and Risk of Lymphoma and Multiple Myeloma in Patients With Primary Sjogren's Syndrome. Arthritis Rheumatol 68, 1245-1250 (2016).
  9. Sverrisdottir, I., et al. Association Between Autoimmune Diseases and Monoclonal Gammopathy of Undetermined Significance : An Analysis From a Population-Based Screening Study. Ann Intern Med 177, 711-718 (2024).


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